Nesta parte do artigo analisaremos a particularidade dos danos morais causados pelo abandono do pai.
- Drogatização –
Os usuários compulsivos de drogas não possuem desenvolvida capacidade para pensar de forma simbólica, conseqüência da ausência de alguém que exercesse adequadamente a função paterna na sua formação.
Esta limitação à simbolização, que os impede de sentir o outro na falta deste, estaria na origem de um comportamento onipotente, que inclui, entre suas formas de manifestação, o consumo abusivo de substâncias psicoativas lícitas (álcool) e ilícitas (maconha, cocaína etc).
o problema do usuário compulsivo não é a droga em si, mas sim a falta de identidade, que o impede de ser conseqüente, amadurecer e desenvolver vínculos afetivos e relações sociais sólidas. É como se ele usasse as substâncias psicoativas como um objeto de transição entre a infância e a idade adulta.
A fase da adolescência é a fase onde impera o consumo de drogas, os adolescentes usuários se negam a amadurecer. Vivem prisioneiros num mundo onde impera o prazer; um mundo onírico.
Proporcionar a apreensão da realidade, segundo psiquiatra e psicanalista Maurício Miguel Gadbem, é um dos atributos da função paterna. .Não apenas da realidade externa, mas principalmente da realidade interna, o que implica na capacidade de pensar e conseqüentemente constituir uma identidade pessoal.
Um caso recente. “Amarrado pelos pés e pelas mãos em uma maca de hospital, cantando músicas de apologia ao crime e às drogas, agressivo e desrespeitando a mãe, J., de 16 anos, há muito tempo perdeu a noção do certo e do errado. A história do menino forte, de rosto bonito e boa memória começou com a maior das rejeições que um rapaz pode sofrer: J. foi abandonado pelo pai assim que nasceu, e dele só recebeu o sobrenome. Na última terça-feira, o drama do morador do Coelho, em São Gonçalo, internado após quebrar objetos em casa durante uma crise de abstinência, foi publicado em O SÃO GONÇALO;. .
J., aos 11 anos, era um garoto tímido e retraído, de poucos amigos e sem dar abertura para a mãe. Começou cheirando cola com um grupo na 2ª série do Ensino Fundamental de um Ciep no Jóquei, em São Gonçalo. Desde então, começou a sair escondido, de carona em um ônibus que passava de noite no Coelho, para curtir bailes funk nos morros do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Aos 12 anos, a mãe já havia perdido o controle, e o garoto não chegou a concluir a 3ª série. Nestes últimos cinco anos o dinheiro que conseguia na rua ia todo para as drogas.
